{"id":1182,"date":"2024-09-10T14:21:34","date_gmt":"2024-09-10T14:21:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.apordoc.org\/?p=1182"},"modified":"2024-09-10T14:21:34","modified_gmt":"2024-09-10T14:21:34","slug":"sempre-de-luciana-fina-a-abrir-e-o-dia-que-te-conheci-de-andre-novais-oliveira-a-fechar-o-doclisboa-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.apordoc.org\/?p=1182","title":{"rendered":"&#8216;Sempre&#8217; de Luciana Fina a abrir e &#8216;O Dia Que Te Conheci&#8217; de Andr\u00e9 Novais Oliveira a fechar o Doclisboa 2024"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Doclisboa tem o prazer de partilhar, neste ano marcante para o nosso pa\u00eds, os filmes de abertura e de encerramento, e a segunda retrospectiva da sua 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o primeiro olhar sobre um programa rico que gera uma conversa entre um presente, um passado e um futuro, onde convergem, de formas diversas e inesperadas, uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es necess\u00e1rias sobre o cinema do nosso tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O 25 de Abril e os seus ecos estar\u00e3o por toda a parte na abertura da 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Doclisboa, que este ano acontece de 17 a 27 de Outubro. <strong><em>Sempre<\/em><\/strong>, de Luciana Fina, obra estreada recentemente no Festival de Veneza e que, 50 anos depois, revisita e traz para o presente os filmes, as imagens, os rostos e os ideais esquecidos ou por cumprir da revolu\u00e7\u00e3o, inaugura o festival e tem sess\u00e3o marcada para dia 17, no Cinema S\u00e3o Jorge. A fechar, o Doclisboa mostra <strong><em>O Dia Que Te Conheci<\/em><\/strong>, do cineasta brasileiro Andr\u00e9 Novais Oliveira, cronista do quotidiano por excel\u00eancia que aqui se aventura pela com\u00e9dia rom\u00e2ntica como nunca antes a v\u00edramos. O encontro com o p\u00fablico est\u00e1 agendado para dia 26, na Culturgest.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABERTURA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Luciana Fina, artista italiana radicada em Portugal desde os anos 1990 e que ainda no ano passado apresentou<em> Andromeda<\/em> no Doclisboa, regressa agora para estrear um filme t\u00e3o potente quanto desencantado sobre o 25 de Abril de 1974. <strong><em>Sempre<\/em><\/strong> \u00e9 um filme feito de filmes &#8211; partiu de um convite da Cinemateca Portuguesa para conceber uma instala\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o dos 50 anos de Abril, recorrendo ao arquivo f\u00edlmico nacional e ao reposit\u00f3rio de imagens da RTP. Atrav\u00e9s de excertos de variadas obras mais ou menos conhecidas, e de um not\u00e1vel trabalho de pesquisa e montagem, Luciana Fina tra\u00e7a o retrato de uma \u00e9poca ida e ut\u00f3pica. Ao mesmo tempo, com recurso \u00e0 capta\u00e7\u00e3o sonora de momentos do presente, a realizadora transporta essas imagens de arquivo para a contemporaneidade, colocando-as em di\u00e1logo com as lutas de hoje &#8211; da crise da habita\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a clim\u00e1tica, dos direitos das mulheres aos direitos dos trabalhadores da cultura, confrontando-nos com tudo o que est\u00e1 por fazer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong><em>Sempre<\/em><\/strong> \u00e9 um tributo ao cinema que interferiu na hist\u00f3ria e que restitui hoje a hip\u00f3tese de um momento extraordin\u00e1rio. O filme atravessa a asfixia do salazarismo e da PIDE, as ocupa\u00e7\u00f5es estudantis de 1969, o Movimento das For\u00e7as Armadas de 1974, os sonhos, programas e perspectivas do PREC, o \u2018Ver\u00e3o Quente\u2019, a descoloniza\u00e7\u00e3o e, sobretudo, prop\u00f5e de novo os gestos de grandes cineastas que entraram em ac\u00e7\u00e3o juntamente com artistas, compositores e directores de r\u00e1dio\u201d, l\u00ea-se no texto que apresenta o filme de abertura do Doclisboa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1185\" srcset=\"https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ODiaQueTeConheci_Still01-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><em>O Dia Que Te Conheci<\/em>, de Andr\u00e9 Novais Oliveira<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ENCERRAMENTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fechar a edi\u00e7\u00e3o deste ano, o festival exibe <strong><em>O Dia Que Te Conheci<\/em><\/strong>, de Andr\u00e9 Novais Oliveira, nome incontorn\u00e1vel do chamado \u2018Cinema de Periferia\u2019 brasileiro &#8211; um cinema que se afasta do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo para contar um pa\u00eds bem mais complexo em toda a sua simplicidade. No registo naturalista e quase documental que caracteriza as suas obras, Novais Oliveira instala-se no seu territ\u00f3rio (Minas Gerais, Belo Horizonte, os sub\u00farbios) e apresenta-nos uma esp\u00e9cie de com\u00e9dia rom\u00e2ntica involunt\u00e1ria. <strong><em>O Dia Que Te Conheci<\/em><\/strong> \u00e9 a hist\u00f3ria de um homem e de uma mulher (Renato Novais e Grace Pass\u00f4) que tentam permanecer \u00e0 tona num mundo desajustado, e que um dia se conhecem. \u201cEssa quest\u00e3o da com\u00e9dia rom\u00e2ntica n\u00e3o foi muito pensada, mas sim a quest\u00e3o do humor, da tentativa de trazer humor para o filme. Isso vem desde o meu curta <em>Fantasmas<\/em>, que fiz em 2010. Tem humor e a maioria dos filmes que dirigi aborda rela\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es amorosas\u201d, refere o realizador, que estar\u00e1 presente nesta edi\u00e7\u00e3o do Doclisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>O Dia Que Te Conheci<\/em><\/strong><em> <\/em>\u00e9 ent\u00e3o a hist\u00f3ria simples &#8211;&nbsp; sem her\u00f3is, vil\u00f5es ou estere\u00f3tipos &#8211; de duas pessoas que se aproximam, se amparam e depois se desejam. Atrav\u00e9s delas, vamos descobrindo com min\u00facia o tecido urbano em que se movimentam e encontrando beleza e gra\u00e7a nos seus pequenos gestos e nas suas fragilidades. \u201cGosto muito de retratar o quotidiano de uma forma mais direta nos meus filmes\u201d, explica o realizador, de quem o Doclisboa mostrar\u00e1 ainda <strong><em>Quando Aqui<\/em><\/strong>, filme em que Andr\u00e9 Novais Oliveira regressa \u00e0 sua casa da fam\u00edlia, territ\u00f3rio de outros dos seus filmes, para propor um viagem mirabolante entre um passado distante e os futuros que apenas podemos adivinhar, num jogo entre mem\u00f3ria e desejo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1186\" srcset=\"https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.apordoc.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Phantoms-Digital-03-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><em>Phantoms of Nabua<\/em>\u00a0(2009), de Apichatpong Weerasethakul<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PROGRAMA ESPECIAL BACK TO THE FUTURE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sec\u00e7\u00e3o Riscos do Doclisboa apresenta este ano um programa especial com curadoria de Jean-Pierre Rehm, colaborador habitual do festival. <strong><em>Back to the Future<\/em><\/strong> prop\u00f5e-se \u201cpercorrer em alguns filmes o v\u00ednculo que liga o modernismo, ou seja, nada mais nada menos do que a utopia do s\u00e9culo XX, e o cinema\u201d, explica o tamb\u00e9m cr\u00edtico e professor no texto que apresenta este conjunto de filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo fiel \u00e0 premissa inicial da sec\u00e7\u00e3o, de olhar para o futuro partindo do passado, os filmes propostos experimentam com a materialidade da pel\u00edcula f\u00edlmica e da luz, com as possibilidades da montagem e com a rela\u00e7\u00e3o entre a presen\u00e7a, ou aus\u00eancia, dos corpos e o espa\u00e7o que os rodeia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na programa\u00e7\u00e3o de Rehm, destacam-se v\u00e1rios t\u00edtulos at\u00e9 agora in\u00e9ditos em Portugal, como <strong><em>Trait\u00e9 de bave et d&#8217;\u00e9ternit\u00e9<\/em><\/strong> (1951), do romeno Isidore Isou, onde a forma convencional de fazer cinema \u00e9 posta em causa e se oferece, em alternativa, uma pel\u00edcula riscada e som que n\u00e3o corresponde \u00e0 imagem &#8211; uma hist\u00f3ria desconstru\u00edda. Por seu turno, no filme <strong><em>Per Speculum<\/em><\/strong> (2006), de Adrian Paci, o espectador acede a um espa\u00e7o que n\u00e3o carece de defini\u00e7\u00e3o, onde um grupo de crian\u00e7as entra num di\u00e1logo com a luz do sol atrav\u00e9s de fragmentos de um espelho, que resulta numa experi\u00eancia visual livre e din\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da Alb\u00e2nia chega-nos <strong><em>If and If Only<\/em><\/strong> (2005), do artista Anri Sala, em que um caracol se passeia ao longo de um arco de viola, afectando uma execu\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a \u2018Elegia para viola solo\u2019, de Stravinsky, perturba\u00e7\u00e3o essa que leva o maestro a adaptar o concerto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas pela nova rela\u00e7\u00e3o f\u00edsica que ali se gera. Um \u00faltimo destaque para <strong><em>Phantoms of Nabua<\/em><\/strong> (2009), do tailand\u00eas Apichatpong Weerasethakul, um filme que tem a luz como personagem principal e onde se explora o conforto de casa, por um lado, e a sua destrui\u00e7\u00e3o, por outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confer\u00eancia de imprensa da 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Doclisboa, em que ser\u00e1 anunciado o programa completo, est\u00e1 agendada para 1 de Outubro, na Culturgest.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Doclisboa, organizado pela Apordoc \u2013 Associa\u00e7\u00e3o pelo Document\u00e1rio, agradece a todos os amigos, parceiros e associados que tornam poss\u00edvel esta 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o e o regresso do festival \u00e0 cidade para mostrar ao p\u00fablico algum do melhor cinema do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Doclisboa tem o prazer de partilhar, neste ano marcante para o nosso pa\u00eds, os filmes de abertura e de encerramento, e a segunda retrospectiva da sua 22\u00aa edi\u00e7\u00e3o. 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